Num cenário hipotético com a taxa Selic atingindo 15% ao ano, a renda fixa se tornaria a principal escolha dos investidores. Esta é a conclusão de um levantamento do portal InfoMoney, que ouviu 23 profissionais e casas de análise sobre as melhores estratégias de alocação.
A preferência pela renda fixa seria quase unânime. Com juros nesse patamar, um ativo pós-fixado renderia aproximadamente 1,25% ao mês, um retorno considerado bastante atrativo e com baixo risco, superando a atratividade da bolsa de valores para muitos investidores.
Renda Fixa: a aposta principal
Para Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil, a renda fixa seria a “bola da vez”. Ele destaca que os investidores buscariam segurança e rentabilidade elevada, encontradas em títulos públicos e privados.
Rodrigo Sgavioli, chefe de alocação e fundos da XP, concorda que a renda fixa seria a classe de ativos mais beneficiada. Ele recomenda uma carteira diversificada, incluindo títulos pós-fixados, atrelados à inflação e uma parcela em prefixados.
A recomendação de Laís Costa, analista da Empiricus, foca em títulos atrelados ao CDI, como CDBs, LCIs e LCAs. Ela também vê valor em papéis indexados à inflação (IPCA+), especialmente os de prazos mais curtos.
Produtos isentos de Imposto de Renda, como LCI, LCA, CRI e CRA, ganhariam ainda mais destaque. Simone Albertoni, especialista de renda fixa na Ágora Investimentos, aponta esses ativos como excelentes opções para maximizar o retorno líquido.
Ricardo Jorge, sócio da Quantzed, sugere uma alocação de 60% da carteira em renda fixa, dividida entre pós-fixados e títulos IPCA+. Ele acredita que esse seria o caminho para aproveitar as altas taxas de juros com proteção.
Fundos de investimento e FIIs
No universo dos fundos, os de crédito privado com perfil high grade (baixo risco de crédito) seriam os mais indicados, segundo Ricardo Jorge. Fundos multimercado com estratégia macro também poderiam se beneficiar do cenário de juros elevados.
Por outro lado, os fundos imobiliários (FIIs) enfrentariam um período desafiador. A alta da Selic torna os rendimentos dos FIIs menos competitivos. Laís Costa, no entanto, vê oportunidades pontuais em fundos de “tijolo” de qualidade que possam estar descontados.
Ações: um cenário desafiador
Para a bolsa de valores, uma Selic de 15% representaria um grande obstáculo. A renda variável perderia atratividade frente à segurança e ao alto retorno da renda fixa. Além disso, juros altos podem impactar negativamente os resultados das empresas.
Apesar do cenário adverso, alguns setores poderiam se destacar. Idean Alves aponta que empresas do setor financeiro, como bancos e seguradoras, tendem a se beneficiar. Companhias de commodities também podem performar bem, se o cenário global for favorável.
Rodrigo Sgavioli, da XP, recomenda foco em empresas de qualidade, com balanços sólidos e capacidade de gerar caixa. Ele menciona os setores elétrico e de saneamento como defensivos e bons pagadores de dividendos.
Já os setores mais sensíveis aos juros, como varejo, construção civil e tecnologia, deveriam ser evitados. Simone Albertoni, da Ágora, reforça que empresas endividadas e dependentes do crescimento econômico sofreriam mais.
Investimento no exterior
A diversificação internacional continua sendo uma recomendação consensual entre os especialistas, independentemente do nível da Selic. Laís Costa afirma que ter uma parcela do patrimônio em moeda forte é fundamental para a proteção da carteira.
Uma Selic elevada poderia fortalecer o real frente ao dólar. Para Ricardo Jorge, isso criaria uma janela de oportunidade para comprar a moeda americana a um preço mais baixo e investir no exterior, aproveitando a taxa de câmbio favorável.
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